requiz
Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.
Caio Fernando Abreu     (via requiz)
pronuncio
Desejará (o homem) conservar justamente os seus sonhos fantásticos, a sua mais vulgar estupidez, só para confirmar a si mesmo (como se isso fosse absolutamente indispensável) que os homens são sempre homens, e não teclas de piano, que as próprias leis da natureza ameaçam tocar, de tal modo que atinjam um ponto em que não se possa desejar nada fora do calendário. Mas ainda, mesmo que ele realmente mostrasse ser uma tecla de piano, mesmo que isso fosse demonstrado por meio das ciências naturais e da matemática, ainda assim ele não se tornaria razoável e cometeria intencionalmente alguma inconveniência, apenas por ingratidão e justamente para insistir na sua posição.
Fiódor Dostoiévski.   (via pronuncio)
requiz
Melancolia ridícula, vou virar a noite escrevendo e escutando Engenheiros do Hawaii. Tosco. É bem a minha cara, mesmo. Depois de uma crise suicida, ficar pensando na forma mais difícil de levar a vida. Mas é o que tem pra essa madrugada, não é isso mesmo? Viver querendo ser um mártir. Mas um dia nós seremos a maioria. É isso que uma das músicas deles diz. Eu espero que a humanidade não tome um rumo tão imbecil.
Se bem que isso é a cara dos homens. Que absurdo viver nesse mundo.
Eu te entendo, Bukowski. (via requiz)